Tendências globais da construção em 2026: a nova fase do setor

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Tendências globais da construção em 2026: a nova fase do setor

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A indústria da construção está a experienciar uma transformação profunda e contínua. As organizações enfrentam desafios estruturais, incluindo a escassez de mão-de-obra, o aumento dos custos e as crescentes exigências em matéria de sustentabilidade. Como resultado, estão a reinventar os seus modelos operacionais para garantir a sua competitividade num mercado cada vez mais exigente.

Em 2026, estas mudanças deixam de ser manifestações pontuais para se afirmarem como tendências claras e estruturantes. A digitalização e a automação aceleram, a construção modular ganha expressão significativa, os materiais inteligentes adquirem maior peso e a resiliência passa a orientar a conceção de infraestruturas para as gerações futuras.

O presente artigo explora as forças que estão a moldar a nova era da construção, marcada pela inovação, eficiência e redefinição completa do modo de projetar, construir e gerir os ativos do futuro.

A digitalização torna-se o novo standard do setor

Num contexto marcado por projetos cada vez mais complexos e pelas expetativas crescentes dos clientes, reguladores e investidores, as empresas estão a adotar soluções digitais integradas para melhorar a previsibilidade, reduzir erros e acelerar a tomada de decisão. A adoção de tecnologias digitais está a acelerar globalmente: 37% das empresas de construção já utilizam inteligência artificial nos seus projetos (acima dos 26% em 2023), e cada organização implementou em média 6,2 ferramentas digitais distintas (um aumento de 20% face ao ano anterior)1.

A integração da IA aplicada ao planeamento com o Building Information Modeling (BIM) e os Digital Twins está a transformar a forma como as equipas concebem, planeiam e monitorizam os projetos de construção. Estas tecnologias permitem otimizar a gestão de projetos de construção ao simular cenários, antecipar riscos, melhorar sequências de trabalho e ao garantir um fluxo contínuo de informação ao longo de todo o ciclo de vida do ativo, desde a conceção até à operação.

A evolução para fluxos de trabalho digitais unificados também está a eliminar tarefas manuais e fragmentadas, reduzindo significativamente o retrabalho e minimizando desvios de custo e de prazo. Plataformas colaborativas, dashboards em tempo real e sistemas de gestão digital de documentos promovem uma maior transparência, agilidade e coordenação entre todos os intervenientes.

Em 2026, digitalizar é uma exigência essencial para trabalhar com eficiência numa indústria pressionada por prazos, margens reduzidas e complexidade crescente. Este avanço digital cria a base necessária para outras transformações estruturais no setor, incluindo o aumento da automação na construção.

Melhore o desempenho no setor da construção

A automação e a robótica respondem à falta de mão-de-obra

Com a digitalização a consolidar processos e a melhorar a qualidade da informação, o setor também começa a dar passos mais firmes rumo à automação e à robótica, como resposta às persistentes lacunas de mão-de-obra. A escassez de profissionais qualificados é hoje um dos principais desafios da construção e tem incentivado as empresas, sobretudo as de maior dimensão, a explorar tecnologias que complementam o trabalho humano e reforçam a produtividade. Nos Estados Unidos, por exemplo, prevê-se que o setor necessite de cerca de 499 mil trabalhadores adicionais na construção até 2026, em comparação com a carência de aproximadamente 439 mil registada em 20252, o que evidencia a urgência de soluções automatizadas para colmatar a escassez de talento.

Fatores estruturais continuam a limitar a disponibilidade de mão-de-obra no setor da construção. Uma parte significativa dos profissionais encontra-se próxima da idade da reforma, enquanto a presença de jovens no setor é residual, revelando um défice crítico de renovação geracional. Ao mesmo tempo, o interesse por carreiras na construção permanece baixo, com poucos candidatos a considerar este percurso profissional.

Assim , ferramentas como drones para inspeções, sistemas de corte, soldadura e impressão 3D, ou robôs para tarefas repetitivas e de precisão estão a tornar-se cada vez mais presentes em projetos de maior escala. Embora a adoção ainda seja pontual, estas soluções demonstram benefícios claros ao realizar atividades perigosas, morosas ou exigentes quanto à sua precisão.

Por sua vez também a automação está a transformar a forma como as equipas planeiam e gerem o seu trabalho. Sistemas de IA aplicados à programação de tarefas, à alocação inteligente de recursos e à previsão de atrasos permitem decisões mais rápidas e informadas, reduzindo tempos de espera, conflitos de agenda e retrabalho.

Ao mitigar os efeitos da escassez de mão de obra qualificada, estas tecnologias na construção libertam profissionais para funções de maior valor acrescentado, reforçando o papel humano na supervisão, na resolução de problemas e na coordenação de obra.

Em 2026, prevê-se uma expansão gradual dos modelos de equipa híbridos, que combinam trabalhadores especializados com sistemas automatizados, sobretudo nas grandes construtoras e em projetos mais complexos.

A construção modular e offsite consolida-se no setor

A construção modular e offsite está a ganhar uma presença crescente no setor, assumindo um papel cada vez mais relevante na industrialização da construção. Esta evolução resulta da necessidade de aumentar a produtividade, garantir qualidade consistente e responder mais rapidamente às exigências do mercado. O crescimento deste segmento tem sido notório: o mercado global de construção modular foi avaliado em cerca de 90,3 mil milhões de dólares em 2024 e estima-se que alcance 155,2 mil milhões de dólares em 20333.

A produção de componentes em fábrica, desde elementos estruturais pré-fabricados até módulos completos, permite reduzir os tempos de execução, assegurar maior precisão e diminuir o desperdício gerado pelos métodos tradicionais. Trabalhar em ambiente controlado elimina variáveis, como condições climáticas adversas, o que contribui para uma execução mais previsível, eficiente e alinhada com os princípios da construção lean.

A adoção de modelos offsite também está a ser impulsionada pela escassez de mão-de -obra qualificada, permitindo deslocar o trabalho para unidades produtivas especializadas e reduzir a dependência de grandes equipas em obra. Além disso, o processo industrializado facilita práticas mais sustentáveis, como a redução de resíduos, o uso otimizado de materiais e menores emissões associadas ao transporte e ao trabalho no local.

Em 2026, a construção modular complementa os métodos tradicionais de forma estratégica, tornando-se uma das vias mais eficazes para aumentar a produtividade, controlar custos e elevar o desempenho global dos projetos. Esta tendência é especialmente visível entre as grandes construtoras, que, pela sua escala e capacidade de investimento, estão a liderar a industrialização da construção e a adoção de soluções modulares e offsite.

A sustentabilidade torna-se uma vantagem competitiva

A sustentabilidade está a tornar-se um elemento central da gestão da construção, influenciando as escolhas de materiais, métodos e modelos de operação. À medida que clientes, investidores e organismos públicos elevam as suas expetativas, as empresas que lideram em práticas ambientais, sociais e de governance (ESG) ganham claramente vantagem no mercado. A urgência desta transformação fica evidente ao notar que o setor da construção já responde por cerca de 34% das emissões globais de CO₂ (incluindo a operação dos edifícios)4. Liderar em sustentabilidade deixou, portanto, de ser opcional e passou a ser crítico para competir num contexto pressionado por metas climáticas e regulatórias.

Os projetos passam a exigir materiais de baixo carbono, soluções de economia circular, maior eficiência energética e uma abordagem integrada ao longo de todo o ciclo de vida dos ativos. A transição para estas práticas não é apenas uma resposta às políticas climáticas, é uma forma de melhorar o desempenho operacional, reduzir custos de exploração e aumentar a durabilidade das infraestruturas.

A procura por edifícios e infraestruturas sustentáveis está também ligada a critérios de financiamento verde e a incentivos que privilegiam organizações com melhor desempenho ESG. Para os promotores e empreiteiros, cumprir estes requisitos traduz-se num maior acesso a capital, redução de riscos e em oportunidades de participar em projetos de maior escala e visibilidade. Não é por acaso que o mercado da construção sustentável tem crescido rapidamente, atingindo cerca de 619 mil milhões de dólares globalmente em 2025 e projeta-se que ultrapasse 1 374 mil milhões de dólares até 20345, evidenciando como as práticas com melhor desempenho ESG atraem mais investimento e oportunidades.

Paralelamente, a pressão para reduzir emissões e minimizar impactos negativos na construção tem impulsionado a adoção de práticas circulares, como a reutilização de materiais, a reciclagem de resíduos de obra e a utilização de soluções inovadoras, desde betões com menor pegada carbónica até materiais de construção regenerativos. Estas abordagens não só melhoram o impacto ambiental, como também contribuem para processos mais eficientes e com menor desperdício.

Em 2026, a sustentabilidade é reconhecida como uma vantagem estratégica: diferencia organizações, atrai talento, fortalece relações com stakeholders e aumenta o valor de longo prazo dos ativos construídos. As empresas que integrarem a sustentabilidade no centro das suas operações estarão melhor posicionadas para responder a um mercado cada vez mais exigente, regulado e orientado para o impacto positivo.

Saiba como aplicar a sustentabilidade para ganhar vantagem competitiva

Os materiais inteligentes generalizam-se no setor

Os materiais inteligentes e de alto desempenho estão a ganhar tração no setor da construção, deixando de ser soluções experimentais para se tornarem parte integrante de projetos de maior dimensão e de edifícios com requisitos de desempenho mais exigentes. A pressão para reduzir emissões, aumentar a eficiência energética e melhorar a durabilidade das infraestruturas está a acelerar a adoção destes materiais em várias fases do ciclo de vida dos ativos.

Entre as inovações mais relevantes encontram-se compósitos avançados, isolamentos de alta eficiência, materiais de captura de carbono, betão com maior resistência e menor pegada ambiental e soluções com propriedades autorregenerativas ou capacidade de monitorização estrutural. Estes materiais oferecem ganhos ao nível da durabilidade, resistência e desempenho térmico.

A sua adoção também está associada à evolução regulatória e às metas de sustentabilidade exigidas por clientes, financiadores e organismos públicos. Projetos que incorporem materiais com menor impacto ambiental ou com maior contribuição para a eficiência operacional tendem a beneficiar em processos de licenciamento, na elegibilidade para financiamento verde e no desempenho ESG.

Para as empresas de construção e promotores, estes materiais representam uma oportunidade clara de reduzir as necessidades de manutenção, aumentar a vida útil dos ativos e melhorar o desempenho energético, o que se traduz em custos operacionais mais baixos e num maior valor no longo prazo.

Embora ainda exista alguma variabilidade na sua adoção global, observa-se uma integração crescente destes materiais sobretudo em edifícios de elevada exigência técnica, infraestruturas críticas e projetos onde a sustentabilidade desempenha um papel estratégico. À medida que os custos de produção diminuem e a oferta se diversifica, os materiais inteligentes estão a tornar-se rapidamente parte do conjunto de soluções convencionais da indústria.

A resiliência molda as infraestruturas do futuro

A resiliência tornou-se um princípio central no planeamento, na conceção e na construção de infraestruturas. Face ao aumento da frequência e da intensidade de fenómenos climáticos extremos, como inundações, ondas de calor, tempestades e incêndios, o setor está a evoluir de uma abordagem reativa para uma estratégia focada na prevenção, adaptação e recuperação rápida.

Projetos de infraestruturas e de desenvolvimento urbano estão a integrar soluções concebidas especificamente para aumentar a robustez dos ativos ao longo de todo o seu ciclo de vida. Entre estas soluções incluem-se, por exemplo, sistemas adaptativos a inundações, materiais resistentes ao calor e ao fogo, estruturas com maior flexibilidade sísmica, redes elétricas reforçadas e sistemas de drenagem projetados para eventos meteorológicos mais severos.

A resiliência é hoje uma exigência não apenas técnica, mas também económica e regulatória. Organismos públicos, investidores e financiadores estão a introduzir critérios mais rigorosos de análise de risco climático, privilegiando projetos que demonstrem uma clara capacidade de resistir a condições extremas e de reduzir o impacto económico associado a interrupções operacionais. Investir em resiliência também gera um retorno significativo: estima-se que cada dólar aplicado em infraestrutura resiliente possa poupar até 10 dólares em custos de reparação e em perdas evitadas no futuro6.

Além de mitigar riscos imediatos, a aposta em infraestruturas resilientes gera benefícios no longo prazo: reduz custos de manutenção e reparação, aumenta a vida útil dos ativos e reduz a probabilidade de falhas críticas que afetem serviços essenciais e comunidades. Ao mesmo tempo, reforça a confiança dos investidores e dos utilizadores finais, um fator particularmente relevante em setores como transportes, energia, água e logística.

Em 2026, espera-se que a capacidade de conceber infraestruturas preparadas para os desafios climáticos seja um dos principais critérios que diferenciam organizações mais avançadas e competitivas no setor.

Melhoria contínua e tecnologia: os pilares do futuro da construção

A construção entra em 2026 com uma ambição renovada: tornar-se mais digital, mais sustentável, mais industrializada e mais preparada para os desafios do futuro. As tendências do setor da construção, da automação à modularização, dos materiais inteligentes à resiliência, não são meras evoluções tecnológicas. Representam uma verdadeira mudança de paradigma na forma como concebemos, planeamos e executamos projetos.

Mas a transição para esta nova era exige mais do que investimentos em ferramentas ou processos. Exige uma mudança cultural profunda. A capacidade de integrar a digitalização, automação, técnicas de construção lean e práticas sustentáveis depende da forma como as organizações aprendem, colaboram e melhoram todos os dias.

É aqui que a existência de uma cultura de melhoria contínua pode desempenhar um papel decisivo. Empresas que fazem do Kaizen (melhoria contínua) uma prática diária estão melhor preparadas para transformar tendências em resultados concretos. São estas organizações que conseguem adaptar-se rapidamente, aproveitar oportunidades emergentes e construir vantagens competitivas duradouras.

À medida que o setor da construção avança para a sua nova era, a chave não está apenas na tecnologia que adota, mas também na mentalidade com que enfrenta o futuro. A indústria que prosperará será aquela que unir visão à execução e tecnologia a pessoas. Uma empresa em que todos estão focados na melhoria contínua consegue um futuro mais eficiente, sustentável e resiliente.

O futuro da construção está a ser desenhado agora e pertence a quem escolhe melhorar todos os dias.

Referências

  1. Deloitte Australia, The state of digital adoption in the construction industry,” February 27, 2025. ↩︎
  2. Michelle Meisels et al., 2026 Engineering and Construction Industry Outlook,” Deloitte Insights, November 13, 2025. ↩︎
  3. Astute Analytica, Modular Construction Market Positioned to Reach US$155.2 Billion by 2033,” GlobeNewswire, December 2, 2025. ↩︎
  4. United Nations Environment Programme (UNEP), Global Status Report for Buildings and Construction 2024/2025,” 2024. ↩︎
  5. SolarTech Online, Green Building Trends 2025: Complete Guide to Sustainable Construction,” August 12, 2025. ↩︎
  6. Sustainability Coalition, Building resilient infrastructure for a changing climate: Relaunch of Infrastructure Pathways at COP30.” ↩︎

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