Melhoria na assistência a doentes com DPOC no Hospital de Sagunto

Caso de Estudo

Melhoria na assistência a doentes com DPOC no Hospital de Sagunto

Objetivos: otimizar a qualidade dos cuidados prestados a doentes com DPOC, através da melhoria dos processos, da redução dos tempos de espera e do reforço da formação

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A melhoria da qualidade dos cuidados de saúde e da segurança dos doentes constitui um dos pilares fundamentais dos sistemas de saúde modernos. Sob esta premissa, o Hospital de Sagunto, situado na Comunidade Valenciana, tem vindo a consolidar, nos últimos anos, um forte compromisso para com a excelência e a inovação na prestação de cuidados.

Com uma visão centrada na colaboração multidisciplinar e na otimização de processos, o hospital lançou um projeto transformador focado na melhoria da assistência a pacientes com DPOC (Doença Pulmonar Obstrutiva Crónica). Esta abordagem permitiu avançar para um modelo mais ágil, coordenado e humano, onde a continuidade da assistência e cuidados prestados juntamente com a educação para a saúde assumem um papel fundamental.

Graças aos resultados obtidos e ao impacto positivo na prestação de cuidados respiratórios, o projeto foi distinguido nos Prémios Kaizen Sanidad 2025, que reconhecem as melhores iniciativas de melhoria contínua no setor da saúde.

O hospital e o seu compromisso com a qualidade e a segurança dos doentes

O Hospital de Sagunto integra o Departamento de Saúde de Sagunto, localizado na Comunidade Valenciana, e tem como missão oferecer cuidados de saúde de elevada qualidade, centrados na segurança e na melhoria contínua dos processos.

A organização destaca-se pela sua abordagem integral e centrada nas pessoas, promovendo a colaboração entre as especialidades e o desenvolvimento profissional contínuo.

A sua visão está orientada para a excelência na prestação de cuidados, a inovação tecnológica e o seu posicionamento como referência em serviços de saúde, favorecendo um ambiente que promove a formação, a investigação e o compromisso para com os doentes, famílias e profissionais de saúde.

O desafio da coordenação e eficiência na assistência a doentes com DPOC

Antes da implementação do projeto, a assistência a doentes com DPOC apresentava diversos desafios que comprometiam a qualidade e a continuidade dos cuidados.

Falta de coordenação entre níveis de assistência

Os doentes eram acompanhados por diferentes serviços — cuidados de saúde primários, urgência e consulta especializada de DPOC — sem um circuito uniformizado, o que resultava em duplicações, atrasos e perda de informação clínica.

“Até ao desenvolvimento deste projeto, os doentes com DPOC eram avaliados tanto nos cuidados primários como nas urgências, e os casos mais graves eram acompanhados numa consulta de DPOC. No entanto, apercebemo-nos de que existiam lacunas e que os nossos doentes podiam ser melhor atendidos.” – Marta Palop, diretora médica

Desfasamento entre agendas e tempos de espera prolongados

As consultas médicas e de enfermagem funcionavam com agendas separadas, o que originava tempos de espera de até uma hora entre ambas as intervenções.

Consulta médica no hospital

Figura 1 – Exemplo de consulta médica no hospital

Ausência de protocolos normalizados

Não existia um critério comum para a prescrição e o uso de inaladores, nem para o seguimento clínico de acordo com a gravidade da doença, o que comprometia a eficácia do tratamento.

Necessidade de formação de profissionais e doentes

Foram identificadas lacunas de formação sobre a utilização correta dos dispositivos de inalação e na educação terapêutica centrada no doente, essencial para melhorar a adesão ao tratamento e a autogestão da doença.

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Criação de um modelo colaborativo e centrado no doente

Perante os desafios identificados, o Hospital de Sagunto implementou um projeto de melhoria contínua com base na metodologia Kaizen, que envolveu profissionais de pneumologia, enfermagem, cuidados de saúde primários e urgências.

Reorganização das agendas e do circuito de assistência

Foi realizada uma análise detalhada das agendas médicas e de enfermagem com o objetivo de sincronizar os horários de consulta e minimizar os tempos de espera.

Análise detalhada dos pacientes

Figura 2 – Análise detalhada dos registos dos doentes e da adesão ao tratamento

Criação da escola de DPOC

Foi criada uma escola de DPOC, com sessões de formação e workshops dirigidos tanto a doentes como a profissionais de saúde. Tendo sido abordados temas como a técnica correta de inalação, o uso adequado dos inaladores de manutenção e de alívio, bem como a identificação precoce de sinais de descompensação.

Imagens da escola de DPOC

Figura 3 – Escola de DPOC

A iniciativa teve um impacto muito positivo, com elevados níveis de satisfação e uma melhoria significativa na compreensão do tratamento.

“O impacto que a escola de DPOC teve foi muito positivo.” – Carolina de Almerara Roca, responsável cuidados primários

Normalização dos protocolos de tratamento

Foram definidos protocolos unificados para a prescrição e utilização de inaladores, adaptados ao grau de gravidade e ao perfil clínico de cada doente. Esta normalização, desenvolvida em conjunto pelas equipas de pneumologia, urgência e cuidados de saúde primários, contribuiu para a redução dos erros de prescrição.

Reforço da comunicação entre serviços

A criação de circuitos rápidos de referenciação e a definição de fluxos formais de comunicação entre os diferentes níveis de cuidados permitiram melhorar a coordenação e a agilidade no atendimento, evitando visitas desnecessárias ao serviço de urgência.

Imagens da comunicação entre diferentes departamentos

Figura 4 – Comunicação entre serviços

Resultados alcançados através de um atendimento mais ágil, coordenado e humano

A implementação do projeto de melhoria contínua no Hospital de Sagunto gerou resultados significativos, entre os quais:

  • Redução de 40% no tempo médio de espera e de permanência entre as consultas médicas e de enfermagem;
  • Diminuição de 10% nos erros de prescrição e otimização no uso de inaladores;
  • Redução de 5% nas agudizações e hospitalizações relacionadas com a DPOC;
  • Aumento da taxa de vacinação até aos 80%, contribuindo para a redução de complicações infeciosas;
  • Maior adesão terapêutica e satisfação dos doentes, graças à formação contínua e à personalização dos cuidados.

O projeto consolidou uma cultura de melhoria contínua e de colaboração interdisciplinar, posicionando o Hospital de Sagunto como uma referência na prestação de cuidados respiratórios integrados e humanizados.

Melhore a gestão dos cuidados de saúde com apoio especializado

Este caso de estudo exemplifica como a aplicação da metodologia Kaizen e o foco na melhoria contínua podem transformar a prestação de cuidados de saúde, otimizando a coordenação entre os diferentes níveis de cuidados, reduzindo os tempos de espera e reforçando a formação e a educação dos doentes.

“No nosso compromisso contínuo com a melhoria, tanto na pneumologia como nos cuidados primários e urgências, envolvemo-nos ativamente neste projeto.” – Carlos Gómez-Ferret Senet, diretor médico dos cuidados de saúde primários

O projeto do hospital de Sagunto demonstra que, com uma gestão colaborativa e centrada no paciente, é possível alcançar resultados tangíveis e sustentáveis, melhorando simultaneamente a qualidade dos cuidados e a experiência do paciente.

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